Strawberry World: [RD] Sala de Estar - Strawberry World

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[RD] Sala de Estar

#1 Membro offline   Strawberry

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Postou 27 maio 2007 - 07:25

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#2 Membro offline   Isarma & Laydara

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Postou 14 outubro 2007 - 07:47

Alguns vários metros acima da casa dos sacerdotes Isarma e Laydara, praticamente colado ao Templo do Monte Estrela se encontrava a casa de Deoris e Rajasta. Isarma vinha andando calmamente desde sua casa, olhando sempre para cima, para a casa que era seu alvo. Ele sentia um aperto no coração, e uma enorme necessidade de saber como sua amada estava.

Parando em frente a porta de uma belíssima casa na montanha, Isarma bateu algumas vezes, na expectativa de que Rajasta, há muito tempo um bom amigo, reconhecesse a sua forte batida na porta. Mesmo que a caminhada houvesse sido longa, o sacerdote não havia soado, e a respiração já estava praticamente normalizada. Somente o ritmo do coração continuava o mesmo desde o momento em que tivera estranhas sensações em sua casa: acelerado.
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#3 Membro offline   Rajasta

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Postou 14 outubro 2007 - 07:54

Parado, sentado em sua confortável poltrona observando calmamamente a esplendorosa vista que a casa mais alta de toda a Atlântida proporcionava, O Grande Mago e Sacerdote de Altíssimo grau da Luz, Rajasta, pensava sobre o destino daquele lindo reino, que no fundo nunca fora merecedor da punição recebida. "Punição?", pensou o mago, "Mas eu nunca soube realmente o que foi que Riveda fez naquele dia com a Pedra... Tudo que sei é que ele cobriu o destino de um glorioso reino com a marca das sombras do Acorrentado..."

Rajasta estava completamente absorto em seus pensamentos sobre todo o passado que ele guardava dentro de si, e em reflexões sobre todo o futuro que ainda teria que viver. Olhou tentadoramente para a faca que estava solta sobre a mesa, mas foi trazido de volta de sabe-se lá que tipo de pensamento para o mundo real; ou melhor, para Atlântida, por pesadas batidas na porta. Ele conhecia a a pessoa que batia em sua porta.

- Sacerdote Isarma de Kerr, pode entrar em minha casa!

A voz era grave e poderosa, mas para bons ouvintes os traços da idade e de uma sensação de culpa eram perceptíveis. O homem se levantou e se manteu de costas para a porta.
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#4 Membro offline   Isarma & Laydara

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Postou 14 outubro 2007 - 07:57

Então o homem vestido de branco, que esperava ansiosamente do lado de fora da casa de Rajasta abriu a porta suavemente, numa tentativa que se mostrou vitoriosa de manter o silêncio e a paz da casa do mago. O homem se ajoelhou diante da pessoa a sua frente, sendo que somente um de seus joelhos tocava o chão; sinalizou com as mãos, num soco forte uma com a outra, o seu respeito e admiração por Rajasta, e depois, quando se levantou e fez o sinal correto para a graduação de Rajasta, ele falou, ainda de cabeça baixa.

- Grande Sacerdote e Mago Rajasta, me sinto na necessidade de informações sobre minha esposa, que foi mandada em missão pelo Conselho Eterno. Meu filho voltou sem ela, e trouxe consigo uma sacerdotisa da Ilha de Avalon.

Ainda que se conhecessem bem desde os tempos de acólito de Isarma, ele nunca se atrevia a se portar como amigo antes que fosse permitido.
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#5 Membro offline   Rajasta

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Postou 14 outubro 2007 - 08:03

Rajasta não se virou para olha-lo cumprindo obrigações que sacerdotes de graduação mais baixa deveriam cumprir. "Aliás... ninguém nesse mundo possui graduação maior que a minha...",e deu uma risadinha baixa. Ouvidos atentos e corpo demonstrando falta de importância, ele ouvia o que Isarma tinha a dizer, sorrindo pela posição que o amigo sempre tivera: a de se sentir inferior a Rajasta. "Se bem que isso ele realmente é... Bem, alguns anos fazem uma enorme diferença!"

- Muito bem... Seu desejo será concedido. Mas antes, sirva para nós dois um pouco de bebida... Ali, aquela garrafa.

Rajasta ainda de costas, apontou a garrafa que contia um líquido de cor avermelhada, um vermelho sangue. Bebida sempre fazia bem para uma mente cansada, e aquecia o velho sangue, para melhorar a saúde. Bem, de qualquer jeito, não se bebe qualquer porcaria em Atlântida.
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#6 Membro offline   Isarma & Laydara

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Postou 14 outubro 2007 - 08:07

O rosto e o olhar demonstrando falta de entendimento sobre as ações do velho, Isarma se levantou e alcançou a garrafa indicada. Do seu lado haviam alguns copos, ele encheu dois com a bebida. Se tornando agora extremamente atrevido, ele andou até o lado de Rajasta e passou a observar a vista junto com ele, colocando o copo de bebida do mago bem a sua frente.

- Sua bebida, Rajasta.

Ele não havia olhado para o rosto do sacerdote, e com certeza não o faria. Ainda possuía a velha lembrança de infância, quando numa aula se perdera no cinza dos olhos do professor e em seu dom com mentes humanas.
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#7 Membro offline   Rajasta

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Postou 14 outubro 2007 - 08:08

Ele pegou seu copo com a bebida sem nem mesmo agradecer, e bebericou-a por alguns longos segundos. Baixou o copo e sorriu, as rugas se formando em seu rosto de acordo com os movimentos que sua boca faziam. Sorrindo ainda, se restringiu, pelo momento a falar simples palavras.

- Pensei que não viria apreciar a vista, meu bom amigo...

Colocou a mão no ombro de Isarma, e ali se encontravam dois antigos amigos, ao invés de mestre e aprendiz. Rajasta poderia sim satisfazer a vontade de Isarma com relação a sua necessidade de informações sbore sua esposa, mas a sua própria energia não era mais suficente nem mesmo para o uso da Palantir.

- Isarma... vou precisar da sua energia na minha busca pela sua esposa, a Laydara. Isso pode te deixar extremamente cansado, mas não há outra maneira, minha energia não me basta. E por favor, feche as cortinas... E me coloce sentado no sofá.

Na verdade, Rajasta já havia começado a reunir suas próprias enregias, por isso agora seria complicado até mesmo andar.
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#8 Membro offline   Isarma & Laydara

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Postou 14 outubro 2007 - 08:13

Enquanto Rajasta bebia, ele também bebeu um pouco. A bebida era quente e forte, e aqueceu seu sangue rapidamente. Ele sorriu quando sentiu a tensão entre sacerdotes ser substituida pela amizade de alguns muitos anos. Ouviu com atenção as palavras de seu mestre, e com bastante cuidado passou o braço dele sobre seus ombros, levando-o lentamente até o sofá, e depois o ajeitando sobre o mesmo.

Isarma então correu pela sala, fechando os cortinas e deixando o ambiente em uma semi-escuridão, a pouca luz vinha por debaixo das cortinas, através da janela de vidro. Ele se colocou atrás de Rajasta, e apoiou sua mão no ombro de velho amigo. Ele sabia exatamente o que deveria fazer.
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#9 Membro offline   Rajasta

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Postou 14 outubro 2007 - 08:15

Rajasta então olhou para a frente, e enquanto inspirava profundamente revirou os olhos, fechando-os enquanto expirava todo o ar inspirado previamente. Se perdia em seu conhecimento, enquanto a energia de Isarma fluía para seu corpo; se unia ao mundo, e depois corria-o em busca daquela mulher tão especial. A viu em Avalon simplesmente porque sabia que ela estava lá, mas a magia de Avalon o impedia de realmente vê-la.

Transmitiu a Isarma aquilo que estava sendo possibilitado a ver: a aura clara de Layadara, que emanava cansaço e preocupação. Mas ainda assim, ela estava bem. Mal havia cancelado a passagem de informação para Isarma, ele viu.

Havia uma Laydara perdida num mundo de Trevas, e a Laydara não era realmente ela mesma.
Quando parte das trevas se dissiparam havia fogo e água, mas ainda havia trevas.
Depois, tudo que havia era um fogo que ardia intensamente e queimava tudo.


Acordando do transe, mas ainda assim sabendo tudo que havia visto, Rajasta falou com uma voz bastante fraca.

- Ela está bem, você mesmo viu... A magia de Avalon me impediu de gerar uma visão física dela, me desculpe...

Bebeu um pouco, para disfarçar a preocupação que sentia com o que realmente fora importante dentro das coisas vistas, se preocupando sobre se Isarma havia captado algo daquilo.
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#10 Membro offline   Isarma & Laydara

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Postou 14 outubro 2007 - 08:15

Isarma estava cansado, e se sentou numa poltrona que fazia parte do conjunto de sofás. Soava frio, e bebeu também um pouco de sua bebida, para aquecer o corpo como ela havia feito antes. Ele acenou com a cabeça sobre a situação de Laydara, e sorriu depois. Definitivamente, o humor daquele homem amoroso havia melhorado completamente naquele segundo.

Começou a conversar com Rajasta, e ambos manteram uma longa conversa sobre o reino, sobre o acólitos, sobre os comerciantes, sobre a redoma de proteção, sobre todos os assuntos que poderiam ter conversado.

Depois de muito tempo e muitos copos esvaziados, Isarma deu um rápido abraço em Rajasta e após de despedir, saiu do recinto.
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#11 Membro offline   Rajasta

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Postou 14 outubro 2007 - 08:18

Depois de conversar muito com o amigo e aliviado pelo fato de que ele não vira tudo que ele havia visto, Rajasta se levantou e se dirigiu para seu elegante quarto. Definitivamente, depois de uma tarefa daquelas, ele precisava descansar.

Depositou o copo junto da garrafa, onde estava antes, e continuou andando, ou melhor, arrastando o corpo, para o quarto e sua cama, que o esperavam ansiosamente. A meio caminho então, ele parou e olhou para cima, onde seria o cume do morro, e sorriu suavemente. Ela estava ali.

O corpo ereto, saiu andando calmamente de sua casa, subindo o monte suavemente.
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#12 Membro offline   Strawberry

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Postou 06 novembro 2007 - 11:03

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#13 Membro offline   Gustavo

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:10

.(Antes)

Os pés descalços acabaram sendo feridos, de certo modo, enquanto o mais novo sacerdote atlante corria, andava, pulava e esmagava as rochas e a terra já batida monte acima. Seu alvo era simples: a moradia encaixada nas rochas, a moradia de Deoris. E mais importante para ele, a moradia do "Covarde do velho Rajasta". Ele chegou, e a raiva que fora misturada com uma coragem nova e abundante apaziguou em seu peito arfante.

Definitivamente, ele machucou os pés com todas aquelas pedras pontudas e afiadas, e agora ambas solas estavam sujas de sangue e poeira. Doía? Bem, provavelmente deveria doer. O meio minuto seguinte foi crucial, pois foi o tempo que Micon levou para re estabilizar sua respiração. Ela trouxe consigo o amor transformado em ódio, e a admiração em desprezo e decepção.

Um chute incomoda muita gente. Dois chutes incomodam, incomodam muito mais. Três chutes incomodam muita gente. Quatro chutes incomodam, incomodam, incomodam, incomodam muito mais.

- Abre essa porta, Senhor Rajasta, ou eu a quebro no quinto chute!

Aparentemente, ele deixara o respeito ficar por perto.
<!--coloro:black--><!--/coloro--><!--fonto:Book Antiqua--><!--/fonto-->A verdade é que sempre tive medo. Uma pena que nunca tive medo de ter medo.<!--fontc--><!--/fontc--><!--colorc--><!--/colorc-->
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#14 Membro offline   Rajasta

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:13

Trôpego e possivelmente um tanto bêbado (pelo menos a garrafa em cima da coffee table de sua sala de estar, preenchida somente com metade de seu líquido vermelho sangue ,indicava isso), ele ouviu a primeira batida na porta como o baque de uma enorme rocha caindo num lago e quebrando toda a sua tensão. O motivo dele não ter aberto logo a porta foi que a visão dupla o impediu de pegar logo o cajado de apoio.

A voz era conhecida, mas ela ressoando em sua mente como tambores de marcha militar não foi alegrante. Foi irritante. Bêbado, meio curvado, abriu a porta. Bêbado não significava realmente idiota.

- O adorado filho de Ahtarrath, o portador das heranças, então. O que você quer, menino? Eu posso ser velho, mas não sou fraco.

Saiu da casa e a porta fechou-se atrás dele, lentamente. Frente a frente com Micon. O jovem mais alto que ele. Ele empunhou o bastão riste ao nariz de Micon e disse baixo, a voz sibilante como uma cobra covarde e venenosa.

- Eu exijo o respeito que mereço, meu pequeno sacerdote.

A voz era viva e destrutiva como um fogo. Como o fogo do orgulho no coração de Rajasta, que era alimentado há mais ou menos setecentos ano pelo combustível do poder.
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#15 Membro offline   Gustavo

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:18

Por segundos, ficou contente por ao menos ter conseguido fazê-lo sair de casa. Por outros segundos, ficou confuso sobre seu estranho falatório de heranças. "Esse papo de heranças já encheu o saco!". Aliás, por isso, resolveu ignorar essa parte da, hum, conversa? Com as costas da mão deu um tapa no cajado do Sacerdote, tirando-o do seu rosto. Aquilo sentido fora um pequeno choque, na mão? Ah, que se danasse. Olhou-o de cima, como se de algum modo fosse superior.

- Eu exijo do senhor, sacerdote Rajasta, a verdade. Porque devemos prezar pela verdade das palavras e dos pensamentos, como representantes dos deuses que somos.

As palavras ditas mais cedo por Melody Le Fay lhe mostraram que havia algo errado com o que era ensinado em Atlântida. A voz do Sacerdote Micon soou grossa, profunda. Melancólica talvez?

- Me conte, Rajasta, o que houve com Alana Lair em Avalon! Acompanhei cada reunião com Avalon nos últimos anos, e Eilan dizia não ter achado nada, e nada também era o que minha mãe achava. Mas eu via o brilho em seus olhos!!

O brilho dos olhos de Micon, no momento, era cinzento.
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#16 Membro offline   Rajasta

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:18

Rajasta cambaleou para o lado junto com seu cajado. Por pouco não caiu, e o pouco nesse caso equivale ao apoio do cajado que o levara a quase cair. Ironias infames. Meio cambaleante por causa da forte bebida que resolvera tomar, ele se re aprumou.

" Então o menino quer saber sobre Alana Lair, hum? Eu bem que poderia contar-lhe tudo o que sei, e assim quem sabe ele morria em uma de suas crises e eu voltava a ser o portador!"

Tudo passou pela mente de Rajasta como um rápido pensamento tolo passa pelas nossas mentes, e foi tão rápido quanto o risinho desdenhoso de meia-boca que surgiu em sua face.

- Ela sumiu. Contente agora? Você sabe aquilo que deveria saber, Ahtarrath! - Um toque rápido no ombro de Micon, como um tapa, e talvez um choque no pobrezinho? - Quer mais? Aquela garota deve ter se perdido ao ponto de conseguir achar a entrada para o País das Fadas. Deve estar perdida lá, a pobrezinha, com todos aqueles seres místicos e misteriosos... -

Ele fazia cara de pena, zombeteiro, quando trouxe a tona em seu rosto aspectos sombrios e malignos, mas ainda assim zombando de Micon e de sua dor.

- ...de costumes atípicos, e aspecto estranho.
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#17 Membro offline   Gustavo

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:19

Outro choque. E esse realmente havia sido de tensão o suficiente para doer, incomodar e quem sabe machucar; ele torceu a boca de dor. Ele bebia as palavras de Rajasta, assim como um velho homem que passara meses de sua vida em um seco deserto. Não, perdoe-se o erro, vai-se a versão correta: ele bebia como um velho homem que passara meses de sua vida no deserto, secando por dentro e por fora, morrendo, e enfim achou um cobra morta e veneno em sua boca: ele bebia como o velho beberia o veneno para resolver-se.

A boca seca, provavelmente contrastando com os olhos. A música da festa soava longe, ainda que não tão distante assim.

- País das Fadas, sim? - Era mais para si a fala do que para Rajasta. - O que... O que os reinos mágicos sabem desse país?

Pareceu um tanto sério? Bem, se a voz de Micon não fosse embargada na culpa e no temor que afogavam seu coração, sim, aquilo teria sido uma voz séria. Seus olhos brilhavam em cinza.

==============
- A hora aproximou-se? - Havia trevas, havia Micon. Olhos fechados, após a fala abriu-os. Eram brancos, assim como sua pele era pálida.

- Acalme-se. As coisas são, serão e continuarão sendo. Para todo o sempre. - Sorriso de canto de boca, fecham-se os olhos.

- Ela veio? - A voz era profana. Abrem-se os olhos.

- Não. O irmão tomou seu lugar. Desequilíbrio inexperiente, tsc tsc.

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#18 Membro offline   Rajasta

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:19

Rajasta olhava para ele. "Não deveria ser assim, ele não deveria ficar tão... calmo?" E então ele viu que era quase que completamente ignorado daquele lugar, assim como todo o lugar o era por Micon. Ele estava intrigado, pois não entendia. Não estava certo, não em sua mente cheia de conceitos formados e idéias prontas. Não em sua mente velha e funcional. A iluminação chegou.

Ele sabia dos acontecimentos em Avalon, há sete anos. Haviam exatos 24 anos que ele observava aquele bebê. Haviam mais ou menos 10 anos em que ele fora amigo e o ajudara. Micon tivera a honra de ser ensinado por Rajasta. Por isso, aqueles sintomas possuíam significado para Rajasta. Um bumbo marcava, lá embaixo, em um ritmo pulsante de algum música latina caliente, os acontecimentos na montanha.

O cajado levantou-se do chão. Bumbo. Movia-se, a ponta sendo apontada para o alto. Caixa. E então descia para o rosto de Micon. Caixa. Feriu-o. Prato.

- Saia de seus devaneios, meu rapaz, pois minha ilha não foi feita para loucuras de idiotas!
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#19 Membro offline   Gustavo

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Postou 17 janeiro 2008 - 12:21

Ele estava resistindo. Ele ouvia vozes, ele queria chorar e guardava as lágrimas. Ele precisava parar, talvez ele a amasse. E a outra? Não, não poderia ser, ele não poderia ceder. Seus pais, os amigos. Os mestres, todos eles. Ele sentia Ahtarrath pulsar por suas veias desde a Coroação, e dentro de si uma onda de desequilíbrio ricocheteava nas paredes, louca para achar um pequeno orifício escapatório. Achou, fugiu junto com o sangue no rosto de Micon.

Pulsos (ao vivo) - Pitty


E um dia se atreveu
A olhar pro alto
Tinha um céu mas não era azul
No cansaço de tentar quis desistir
Se é coragem eu não sei


Ele caiu no chão, de joelhos, ele caiu em si. A cabeça caída de lado revelava que ele estava 'lelé'.

- Então, que venha Ahtarrath...

Olhou para cima, e seus olhos se iam para o infinito. O céu não era azul. Será que havia um céu? Na superfície, o tempo mudava, e havia espessas brumas. Nuvens chegavam.


Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência


Baixou os olhos. Ignorava tudo ao seu redor, enquanto as lágrimas escorriam precariamente, ele sorria seu pequeno sorriso abobalhado. Seus olhos clareavam. Não, não brilhavam. As nuvens da superfície caíam com a raiva do coração de Micon.


Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência


Sentia-se sujo, nojento. Pesava em suas mãos um peso que não deveria ser seu. Era culpado, inocente? A dúvida deveria ser afogada. "Então o faça", foi o que havia em sua mente. Os trovões, não audíveis em Atlântida, pareciam querer arrancar o mar de seu lugar.

E um dia decidiu, quis terminar
Só mais um gole e duas linhas horizontais
Sem a menor pressa
Calculadamente
Depois do erro a redenção


Levantou-se, pé por pé, braço por braço, joelho por joelho.Olhou para Rajasta, e parecia haver adquirido nova consciência junto com os opacos olhos leitosos. Olhou em seus olhos, em suas pupílas, procurando-o. Achou. Riu. A terra tremeu em sua risada. Vibrou. Um raio caiu.

Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência


O vento uivou monte acima, e a cabeça de Micon encontrava-se inclinada de lado. Ele sorriu e fechou os olhos, aparentemente feliz. Ele se sentia leve, e o vento preenchendo suas mãos e alisando seus pés o faziam se sentir nos ares. As vibrações aumentaram. Um baque surdo. Micon sentia a terra ser arrancada dela mesma. Por um simples segundo, todos flutuaram em Atlântida, todos foram leves, e voltaram a ser pesados. Um terrível terremoto abalava toda Atlântida, no monte já havia uma rachadura. Era tão terrível quanto o que colocara Atlântida abaixo. Assim como o vento passa, tudo cessou.

Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência


Micon caiu lentamente, e ficou deitado no chão de terra batida. Abriu os olhos, que voltavam ao seu castanho. Olhou para Rajasta, com medo do que poderia ter feito. Mas já estava desmaiado. No céu, as estrelas haviam mudado, eram mais reais. As nuvens ainda caiam levemente, e havia um frio vento de noite.

Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência

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#20 Membro offline   Rajasta

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Postou 09 fevereiro 2008 - 09:06

Ele havia errado. Por um minuto longo demais ele viu sangue manchando a terra que estava a sua frente, e em outro já não havia mais a terra a sua frente. A coisa toda mudara, e ainda que ele estivesse zonzo e sentisse a terra tremer a seus pés, o Micon ajoelhado a sua frente (ainda que não fosse ajoelhado para ele, e ele soubesse disso) lhe trazia uma prazerosa sensação de... dominação e poder? Talvez seu desejo interno fosse ter Micon e toda Ahtarrath como seus servos. O importante era que o filho de Ahtarrath e Ahtarrath estavam se manisfestando, e tudo que Rajasta podia fazer era se render aquela estranha e descontrolada energia que cruzava aquela terra de ponta a ponta.

Se desequilibrou e acabou por cair. Caiu sentado, ainda apoiado no cajado, que conseguiu manter de pé. A bacia do corpo magro bateu com força no chão, e a sensação recebida foi de que talvez alguma coisa ali dentro tivesse rachado, quebrado ou sido deslocado.

Ele estava tonto, e somente graças ao apoio oferecido pelo cajado é que ele não havia batido a cabeça no chão. Tonto, que não percebeu que havia perdido o sentido da terra de Atlântida, justamente devido as grandes mudanças que aconteceram nos últimos instantes.
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